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16 de julho de 2013

Opção por trilho gera debate no Recife
Para especialistas, implantação de metrô e VLT tem que seguir estudos científicos

 Opção por trilho gera debate no Recife

Uma opção muito mais política que técnica. Um dia após o governo do estado e a Prefeitura do Recife terem anunciado o pedido de até R$ 6,4 bilhões à União para executar projetos de mobilidade urbana na capital e no interior, especialistas em mobilidade e urbanismo fizeram ponderações quanto à mudança repentina de preferência do modal rodoviário para o ferroviário. Como nem o governo e nem a prefeitura têm projetos para as obras apresentadas em Brasília, não se pode avaliar se essa escolha será a melhor para o Recife. A principal questão levantada é o risco de a cidade “pagar a conta” por decisões tomadas sem critérios científicos.

É claro que, para uma cidade que está com sua mobilidade estrangulada, propostas que tenham a intenção de amenizar o caos são bem vindas. O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) no Centro e na Zona Sul e o metrô ou monotrilho na Avenida Norte, que, até então, não tinham sido cogitados para essas áreas, podem ser alternativas viáveis que priorizariam o transporte público de massa. No entanto, antes de apostar nesses modais e garantir o sucesso da implantação deles, projetos devem apontar suas viabilidades, tarefa que ainda está pendente no poder público. “Essas escolhas devem ser frutos de estudos e não de política. Essa coisa de ensaio e erro é hábito do Recife há muitos anos, mas com a cidade não se brinca. Esses projetos devem estar de acordo com as reais carências da cidade”, defendeu o arquiteto José Luiz da Mota Menezes (foto).  

O professor de engenharia da UFPE Maurício Pina explica que não é somente o custo que vai definir o modal a ser implantado em determinado corredor viário. “Tem que conhecer a quantidade de pessoas que vão utilizá-lo e de que forma será esse uso ao longo do dia. Cada equipamento desse tem uma faixa de demanda apropriada para transportar que pode ser atendida por um ônibus, metrô ou VLT”, colocou. Esses estudos devem considerar, inclusive, como as pessoas estarão fazendo seus deslocamentos no território nos próximos 30 anos. “Para conhecer a demanda futura, seria necessária uma boa base de planejamento da cidade antes”, ponderou Pina.

O gerente de manutenção do Metrorec, Bartolomeu Carvalho, julgou como positiva a tentativa de ampliar a malha ferroviária da cidade. No entanto, cobrou que essa expansão esteja interligada ao sistema já existente e que interfira o mínimo possível na dinâmica urbana. Já o coordenador regional da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), César Cavalcanti, chamou a atenção para que outras tecnologias sejam conhecidas antes de o martelo ser batido. Ele citou o exemplo do aeromóvel que vai ligar o aeroporto de Porto Alegre ao metrô da cidade. Movido a propulsão pneumática, por meio da compressão do ar, esse tipo de VLT chega a ser bem mais barato e limpo que o convencional. “É preciso selecionar a alternativa mais adequada para não desperdiçar dinheiro público”, afirmou.

Fonte: Diário de Pernambuco

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