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27 de agosto de 2019

Ônibus perdem
12 milhões de usuários

Ônibus perdem

Mais de 12 milhões de brasileiros deixaram de usar ônibus, em 2018, no Brasil, segundo informações do presidente executivo da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Otávio Cunha. Ele se baseia em dados do Anuário 2018-2019, que a sua organização prepara há anos, e que foram divulgados no "Seminário Nacional NTU 2019 - Inovação e reinvenção: o futuro do transporte público na perspectiva da sociedade", realizado em Brasília. O evento teve a missão de recuperar passageiros que migraram para outros modos de deslocamento, incluindo aqueles realizados por meio de aplicativos e até mesmo o transporte pirata.

"O ônibus deixou de ser competitivo para as pessoas e houve uma fuga de passageiros. Conseqüentemente mantido o mesmo custo, com menos pessoas pagando, as tarifas subiram. E isso provoca nova fuga de pessoas. Hoje, a matriz de deslocamento das pessoas, que estão andando a pé nas cidades, chega a mais de 20%. Elas estão se deslocando a pé, por absoluta incapacidade de pagar o preço da passagem", reconhece o executivo da NTU. DEMANDA Por telefone, Otávio Cunha nos disse, ainda, que a queda da demanda foi de 4,3%. O que representa 12,5 milhões de passageiros a menos nos coletivos urbanos. E que tudo se deve à falta de infraestrutura para o transporte coletivo, com redes insuficientes de corredores e faixa seletiva. "Por isso, o ônibus está cada vez mais lento e menos atrativo", lamenta. Otávio Cunha destaca, também, que, até agora, apenas 9,4% de um total de R$ 151,7 bilhões de verbas - anunciadas pelo Governo Federal - foram investidos para infraestrutura em mobilidade urbana há dez anos.

Com relação à evolução dos empreendimentos previstos, o executivo da NTU revela que somente três projetos de priorização do transporte público iniciaram operação no Brasil. "Um Sistema BRT e uma Faixa Exclusiva em Niterói (RJ), e outra Faixa exclusiva em Curitiba (PR). Os caminhos para conquistar um transporte público de qualidade, exigem transparência e preços acessíveis aos passageiros", sustenta. Segundo ele, há de mais de 20 anos que a demanda vem caindo gradativamente. "De 2013 a 2017 nós tivemos 25% de queda na demanda. A explicação para esse período foi a recessão econômica; o desemprego de 12,5 milhões de trabalhadores; o aumento do automóvel nos grandes centros urbanos com os conseqüentes engarrafamentos".

DESONERAÇÃO

Secretário de Mobilidade Urbana (Semob) da Cidade de Salvador, Fábio Mota esteve no encontro em Brasília e defendeu a desoneração das tarifas dos transportes públicos. Mostrou que a 'gratuidade' é um vilão a ser combatido e citou um exemplo: "Salvador transporta 35 milhões de passageiros/mês e apenas 22 milhões pagam pela passagem. O restante viaja de forma gratuita. E nessa condição de usufruir tal benefício estão os idosos. A saída para o setor será a desoneração das tarifas, que tem ser a nível nacional. E justifica: se aqui em Salvador não fosse cobrado o ICMS do óleo diesel para ônibus, que é de 30%, a tarifa local seria R$3,70 e não R$ 4.00 como está sendo cobrada".

Para que a solução da desoneração das tarifas seja uma realidade nos próximos anos, Fábio Mota vive a expectativa de uma melhora na economia brasileira "Acredito que há espaço para aprovação desta proposta, se a nossa economia melhorar!". No seminário da NTU, em Brasília, ficou claro que: "A tendência para solucionar a questão é buscar pela inovação o barateamento do serviço e criar facilidades; outros tipos de serviços acessórios e complementares à rede pública de transporte. A idéia é ter uma rede pública básica, para aquele que é cativo do transporte, que não tem outra maneira de se locomover. E ter uma rede complementar com serviços sob demanda, a exemplo do que foi inaugurado na cidade de Goiânia.

INOVAÇÕES

Entre inovações possíveis, Otávio Cunha da NTU revela que é preciso criar ainda fontes de recursos 'extratarifários' para baratear o custo do serviço coletivo e usar a tecnologia e a inovação para melhorar o atendimento e a qualidade do serviço ofertado ao publico. "O sistema de Goiânia é semelhante a um serviço de aplicativo, uma plataforma. Só que é um serviço ofertado por 'vans' com capacidade para 14 pessoas, com ar condicionado e atuando em áreas mais centrais, onde tem uma grande demanda". Sobre o fato do usuário do transporte público ser o único financiador do serviço de transporte ele diz texttualmente que isso tem que ser mudado. "O usuário que é cativo do transporte não está aguentando nem pagar o preço da passagem. Por isso, que a gente precisa fazer o investimento da infraestrutura; fazer o onibus ganhar velocidade comercial; baratear o custo do serviço prestado; atrair demanda nova; e reduzir mais a tarifa", sugere Otávio Cunha que reconhece: "Perdemos a produtividade. Hoje, ela é muito baixa. Nós estamos transportando a metade dos passageiros que a gente transportava há 20 anos atrás.

URGÊNCIA

De acordo com a série histórica do Anuário da NTU, no período 1994-2012 a redução de demanda foi de 24,4%, e entre 2013 e 2017 essa diminuição foi ainda maior, da ordem de 25,9%. Para o presidente da NTU, o setor precisa avançar com urgência na solução dos principais gargalos, sob pena de não sobreviver à concorrência com modos de deslocamentos mais modernos. "Nosso levantamento também acusou uma estabilidade na demanda em 2018 na comparação com 2017, mas infelizmente esse comportamento não significa uma interrupção na redução de passageiros como evidencia a queda verificada em abril deste ano", aponta Otávio Cunha. A metodologia adotada pelo Anuário, que reúne os principais indicadores do transporte público por ônibus, realizado pela NTU há quase 30 anos, tem como referência nove capitais brasileiras: Belo Horizonte-MG, Curitiba-PR, Fortaleza-CE, Goiânia-GO, Porto Alegre- RS, Recife-PE, Rio de Janeiro- RJ, Salvador-BA e São Paulo-SP. Elas são pouco representativas numericamente no universo de 2.901 municípios brasileiros atendidos por sistemas organizados de transporte público por ônibus (IBGE, 2017). Entretanto, juntos, os nove sistemas equivalem a 32,5% da frota total de ônibus urbanos e 34,1% da demanda de passageiros que se deslocam diariamente em todo o país (NTU, 2019), servindo como amostra confiável do desempenho operacional do setor.

Fonte: NTU

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