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04 de outubro de 2012

Número de motos triplica no Recife
Capital foi a quinta onde em que a frota mais cresceu em 10 anos

Número de motos triplica no Recife

O Recife ficou em 5º lugar entre as capitais brasileiras que mais registraram aumento no número de motos nas ruas. Em 10 anos, o crescimento superou 330%, percentual acima da média das grandes metrópoles nacionais, de 289% de alta na década. Os carros no Recife também cresceram demais no período: 78%. O levantamento ainda mostra que o Recife é a capital do Norte e Nordeste que tem mais veículos nas ruas. Supera os números de centros importantes da Região, como Salvador, cidade bem mais ampla em território – 706 quilômetros quadrados, contra 217 km² da capital pernambucana. Os dados fazem parte de um estudo do Observatório das Metrópoles com base nas informações do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) para explicar a crise de mobilidade urbana nos grandes centros, que no Recife parece pior.

 

Embora a frota recifense de motos tenha triplicado em 10 anos, há regiões metropolitanas do País em que essa quantidade foi multiplicada por oito, caso de Belém. Na década, foram emplacadas 3,1 milhões de motos nas 12 principais metrópoles brasileiras. No ano passado, existiam mais de 223 mil motocicletas em circulação nas ruas do Grande Recife, contra pouco mais de 51 mil na virada do século, em 2001.

 

Para o Observatório das Metrópoles, os números são resultado, sobretudo, “da opção pelo modo de transporte individual em detrimento das formas coletivas de deslocamento. O ritmo de crescimento na quantidade de veículos supera o da população na maioria dos casos”.

 

Além do aumento das motos, a instituição também aferiu o crescimento no número de carros. Neste caso, a alta foi menos expressiva, mas a base de comparação é bem maior. Saímos de 388 mil veículos em 2001 para 692 mil no ano passado, um crescimento de 78%. Para se ter uma ideia, os números do Recife são maiores que os registrados em Salvador, que passou de 344 mil carros, em 2001, para 668.472, em 2011. O acréscimo de 324.462 veículos representou um crescimento relativo da ordem de 94,3%, na capital baiana, somando-se às metrópoles que registraram crescimento relativo acima da média nacional. Neste meio de transporte, a metrópole que mais sofreu com o aumento do número de carros foi Manaus, com crescimento de 141% no período. Sua frota pulou de 147 mil, em 2001, para 357 mil, em 2011.

 

Apesar de o problema ser cada vez pior nos grandes centros, os números também mostram que o interior também vem sofrendo com o aumento dos veículos. A maior parte das motos não está nas grandes cidades: 76% ficam nos municípios com populações pequenas ou médias. Carros, 44% da frota está nas 12 regiões metropolitanas avaliadas. Segundo o Ministério da Saúde, 65 mil pessoas morreram em acidentes de moto na década passada.

 

Apesar da preocupação, as motos representam um lucrativo mercado e seu consumo é estimulado. O Banco do Brasil, por exemplo, anunciou que vai reduzir a taxa mínima de juros para financiamento de motos, a partir de hoje, de 1,34% ao mês para 1,28% ao mês. Essa taxa é válida para motos a partir de 150 cilindradas, novas ou fabricadas no ano.

 

Custo com acidentes é milionário - Para o coordenador estadual do Comitê de Prevenção dos Acidentes de Moto, João Veiga, o grande problema do crescimento no número de motocicletas no trânsito recifense é o custo ligado aos acidentes. Segundo ele, no ano passado, os três grandes hospitais de emergência da capital pernambucana gastaram mais de R$ 100 milhões com os acidentados com moto.

 

Na avaliação de Veiga, esse tipo de prejuízo, sem contar a perda de vidas, é inflado pelo aumento das motos de 50 cilindradas, chamadas de cinquentinhas, e o descaso das prefeituras, que são as responsáveis por fiscalizar esse tipo de veículo, mas fazem “vista grossa”.

 

“Elas não dão a devida atenção porque essa despesa com a saúde é paga com o dinheiro dos hospitais estaduais, apesar de terem responsabilidade sobre o controle do trânsito e das motos de cinquenta cilindradas”, observa. “Os candidatos estão prometendo que vão passar a fiscalizar, se eleitos”, pondera.

 

“Um paciente de moto que vai pra a Restauração, hospital de alta complexidade e alta resolução, custa em média R$ 154 mil, somente na parte hospitalar. Somando o HR, o Getúlio Vargas e o Otávio de Freitas, chegamos aos R$ 100 milhões do ano passado”, revela. Segundo ele, 13% da frota de motos é formada por cinquentinhas.

 

João Veiga argumenta que o grande problema dessas “motinhas” é que nenhum município quer emplacá-las, apesar de o Código Nacional de Trânsito prever que as motocicletas de baixa cilindrada são de responsabilidade dos prefeitos. “Quem termina fazendo as notificações somos nós da blitz do bafômetro. Apreendemos mais de 50 mil ano passado”, revela. Segundo Veiga, quando o condutor da moto é identificado sem capacete ou carteira de motorista, o veículo é apreendido, mas como não há registro de placas, as multas não podem ser cobradas. O infrator paga apenas o frete de R$ 70, mais R$ 30 de diária de pátio, e perde pontos na carteira.

 

A multa não pode ser cobrada porque a cobrança só acontece no emplacamento do ano posterior. “Como não têm placas, elas são notificadas pelo chassi. A cobrança da multa só poderá vir quando o condutor registrar a placa, mas os municípios não estão fazendo isso. O único que passou a registrar as motos foi São José do Egito, no Sertão do Pajeú, comentou.

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