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05 de outubro de 2015

Transporte no meio da crise

O baixo desempenho da economia brasileira, a alta da inflação e a elevação da carga tributária e da taxa de juros já impactam negativamente o setor de transporte. De acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os transportadores acumulam queda de 12,15% na receita líquida até junho de 2015. Em alguns casos, essa redução chega a 30%.

Como consequência desse momento, no primeiro semestre deste ano, foi registrada queda de 2,8% no consumo de diesel, que é o principal insumo do transporte rodoviário, ferroviário e aquaviário. Além disso, houve forte aumento do preço desse combustível, com reajuste de 7,4% no ano. Esse cenário pode ser ainda mais deteriorado diante da diminuição de R$ 4,21 bilhões no investimento autorizado para infraestrutura de transporte, que já era aquém do necessário. Isso porque corre-se o risco de obras serem paralisadas e, por extensão, piorar a situação da malha viária, aumentando assim o custo operacional do transporte.

Outro grave problema está na rentabilidade dos transportadores. O preço de insumos, como combustível, lubrificantes e pneus, sofreu elevação significante. Para acentuar ainda mais a situação, há uma considerável piora das condições de financiamento de infraestrutura de transporte pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), com aumento da taxa de juros e redução dos prazos.

Diante desses entraves, figura uma inconteste tendência de redução da demanda pela atividade de transporte. Exemplo disso está na queda de 43,1% no licenciamento de caminhões e de 28,6% no licenciamento de ônibus, entre janeiro e julho de 2015, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Apesar de todos os dados negativos, o setor tem se esforçado para manter seus empregados. Dados do Ministério do Trabalho atestam que há estabilidade nesse quesito. Mas esse quadro pode se agravar, caso medidas anticíclicas não sejas implementadas rapidamente. Afinal, estamos falando de uma área que é termômetro da atividade econômica nacional, em decorrência da sua capilaridade e conexão direta com outros setores.

Para tentar atenuar as consequências deste período crítico, há que se ampliar e diversificar os investimentos, facilitando o acesso ao crédito para a compra de veículos e a renovação de frota; investindo no desenvolvimento de projetos básicos e executivos e em análises de viabilidade de novas obras; envolvendo, cada vez mais, a iniciativa privada nesses processos e não aumentando a tributação.

Apenas dessa forma conseguiremos reerguer o setor e dar a guinada necessária para um novo ciclo de crescimento e desenvolvimento econômico do Brasil.

AUTOR
Clésio Andrade, presidente da CNT

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