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09 de novembro de 2015

Estabilidade para voltar a crescer

O momento por que passa o Brasil inspira cuidados a todos os segmentos da sociedade. Estamos vivenciando uma séria crise, que é sistematicamente retroalimentada por um cenário de instabilidade política. Tal quadro só serve para distanciar investimentos e engessar nossos setores produtivos. E o horizonte não é lá dos mais animadores. As perspectivas do FMI (Fundo Monetário Internacional) sobre o desempenho da economia brasileira, neste ano, pioraram e os técnicos já veem uma retração de 3%, o dobro da estimativa anterior.

O reflexo claro deste momento pode ser visto no transporte, importante termômetro do PIB (Produto Interno Bruto), dada a sua capilaridade e relação com os demais setores. Diante da baixa na atividade econômica, da alta dos juros e do dólar e da elevação da tributação e da inflação, houve uma considerável queda na demanda pelos serviços de transporte e, por extensão, do faturamento das transportadoras. Já temos empresas com queda de até 30% na sua receita líquida.

Os números recentes da produção e venda de veículos ilustram bem esse cenário. O último mês de setembro foi o pior para as vendas de veículos novos no país desde 2006, com pouco mais de 200 mil emplacamentos, segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). A expectativa é que o mercado tenha uma retração de quase 20% até o final do ano.

Em relação à produção, as notícias também não são boas, pelo menos no curto prazo. A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) divulgou que a produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, no nono mês do ano, teve queda de 19,5% na comparação com agosto e recuo de 42,1% ante o mesmo mês do ano passado.

Além disso, com a queda na produção industrial, não há demanda satisfatória para o transporte de cargas, especialmente o rodoviário. Há relatos de que milhares de transportadoras e caminhoneiros estejam parados por falta de serviço. O setor enfrenta desde a alta do diesel, de lubrificantes e de pneus até a dificuldade de refinanciamentos dos veículos.

Ainda nos deparamos com reduções expressivas de demanda nos setores aquaviário, aéreo e ferroviário. A despeito de visões político-partidárias, o Brasil não pode parar e nem tampouco ter sua população e seu setor produtivo penalizados por instabilidade na condução econômica e política. É preciso que haja um pacto nacional de todas as instâncias para correção de rumos e retomada do crescimento.

Necessitamos, em caráter de urgência, de medidas para melhorar o ambiente de negócios no país, evitando o crescimento do desemprego ou o prolongamento da recessão. No caso do transporte, já temos casos de demissões, fechamentos de empresas, férias coletivas etc. Isso é preocupante.

Sabemos que a nação está em meio a um período de ajustes e cortes, e temos consciência da sua relevância para correção de erros passados. O caminho, contudo, para mitigar os efeitos desse momento e, posteriormente, superá-lo passa pelo forte investimento em infraestrutura, em parceria com a iniciativa privada nacional e estrangeira. Aliadas a esse aspecto estão a necessidade de ampliação da segurança jurídica no país – com regras claras e cumprimento de contratos e obrigações – e a desburocratização dos processos produtivos.

Por fim, precisamos resgatar a estabilidade política para poder tocar os projetos necessários para o Brasil voltar a crescer.

AUTOR
Clésio Andrade, presidente da CNT

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