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02 de setembro de 2014

Acorda, Brasil!

As dimensões continentais de nosso país indicam a necessidade de dotar a nação de logística que contemple a multimodalidade e integre o país de norte a sul, de leste a oeste, que dê eficiência aos deslocamentos de cargas e de pessoas, que reduza os custos de transporte, que potencialize os diferentes modos de transporte e que equilibre a matriz nacional de transporte. A realidade, no entanto, está longe desse mundo ideal em que investimentos em infraestrutura de transportes e em logística integrada são priorizados. Em que governos sabem da importância disso para a economia nacional e para o comércio exterior. 

Nosso país, tantas vezes mencionado como a nação do futuro, com potencial para se destacar no cenário internacional, com a representatividade que possui no continente sul-americano, com um enorme mercado interno, investe menos de 1% do seu PIB em infraestrutura. Evidentemente que essa cifra é insuficiente para apoiar o crescimento e o desenvolvimento econômico e social. Ao lado de tão inexpressivo investimento ainda temos a dificuldade em aplicar esses poucos recursos disponíveis, revelando que o país não realiza uma adequada gestão, a nação peca por excesso de burocracia, por lentidão em seus processos licitatórios e a execução dos orçamentos de investimento apresentam o realizado abaixo daquilo que tinha sido planejado e aprovado.

Acorda, Brasil! Até quando vamos ficar nesse compasso lento enquanto o mundo se organiza e os países recuperam suas economias a passos largos. Será que vamos, mais uma vez, ficar a reboque e gerando insignificantes resultados de PIB? O setor produtivo e os transportadores possuem visão sistêmica do transporte e estão fazendo sua parte investindo em logística empresarial, que tem dinamizado os processos de produção, reduzido os custos, agregado eficiência e eficácia a toda cadeia de distribuição da riqueza produzida. Um esforço colossal para se manter produtivo em um Brasil que insiste em não realizar suas reformas estruturais definitivas que contemplem um sistema tributário que não penalize a produção, leis trabalhistas menos onerosas para o empregador e um sistema político contemporâneo adequado ao fortalecimento da democracia.

Para o fim da apatia do setor público em realizar planejamento e romper sua inércia em construir a melhor infraestrutura de transporte para o país, a Confederação Nacional do Transporte está lançando o Plano CNT de Transporte e Logística 2014, um estudo completo com indicações de projetos e seus custos para dotar o Brasil de logística e transporte condizentes com os nossos anseios de desenvolvimento. 

O Plano CNT de Transporte e Logística apresenta, detalhadamente, orçados em R$ 987 bilhões, 2.045 projetos, nos quais as autoridades governamentais podem nortear-se para realizar a transformação definitiva da infraestrutura do país, capaz de atender à demanda atual e futura dos setores produtivos e da população. 
A CNT propõe, com seu levantamento, a modernização e ampliação de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, hidrovias e terminais, de tal maneira que possamos adequar todas as características regionais à multimodalidade do transporte, quebrando isolamentos de populações, unindo economicamente mercados nacionais e globais, em prol da verdadeira e completa integração do Brasil.

AUTOR
José Fioravanti - Presidente em exercício da CNT

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